Quando vimos fazer Erasmus, vimos cheios de expectativas, há todo um mito sobre a "vida Erasmus". Toda a gente antes de vir ouviu as histórias, as aventuras de outras pessoas que já estiveram em Erasmus e cada um cria uma imagem do que vai ser o seu próprio Erasmus com base nos Erasmus dos outros.
Quando se chega cá a realidade é muito diferente. É muito mais difícil do que toda a gente conta. Porque ninguém conta esse lado. Ninguém conta as dificuldades que encontra (porque ninguém gosta de admitir que as têm), ninguém conta que há momentos em que só apetece voltar para Portugal onde tudo é certo e garantido. Ninguém conta as horas de solidão em que dava tudo para ter os amigos e a família aqui perto (e sabe tão bem a net nesses momentos). Ninguém conta os momentos em que questiona tudo isto.
Estes maus momentos não são iguais para todos. Tenho mantido contacto com várias pessoas que também estão a fazer Erasmus nas condições mais diferentes possíveis, e uns de uma forma, outros de outra tem tido momentos difíceis, ou porque estão a ser escravizados no laboratório, ou porque estão sozinhos ou porque tinham as expectativas muito elevadas antes de vir. Mas apesar disso continuamos todos a dizer quando nos perguntam, está a correr bem? Estás a gostar? Sim, espectacular, está a ser óptimo.
Porque mais uma vez é mais fácil fingir do que admitir que nem sempre estamos bem.
Não, o meu Erasmus não está a ser o Erasmus de sonho que eu queria, talvez porque pertencesse ao grupo das pessoas com demasiadas expectativas. As relações que se estabelecem com as pessoas que se conhecem são muito distantes, o trabalho na faculdade é bastante frustrante e a cidade não é um sonho. Mas, o que é importante perceber, é que embora as coisas às vezes não fossem como queríamos, existe sempre algo a que nos podemos agarrar para tornar as coisas mais positivas. Eu agarro-me às viagens que quero e vou fazer, aos momentos bons que também há e tento encarar todos os momentos em que estou sozinha como algo que também me ajuda a crescer. E tentar aprender que embora as coisas não sejam sempre como queríamos, não são por isso necessariamente más.
Este não é um relato de viagens, nem de bons momentos passados aqui. É um texto que estive para não publicar, mas achei que devia, porque há muita gente que passa por estes momentos difíceis e sabe bem ouvir que não estamos sós.
Mas acabo a dizer, se me perguntassem, voltavas a fazer erasmus? Não hesitava, voltava sem dúvida! Porque os maus momentos aqui são para ser ultrapassados e os bons para ser aproveitados e recordados. E no fim na nossa memória devemos fazer sempre por preservar os bons, porque são esses que nos acompanham para a vida.
Amanhã vou para Amesterdão, e isso deixa-me extremamente feliz. :)
